segunda-feira, 24 de maio de 2010

O JOIO, O TRIGO E A INEVITÁVEL CONVIVÊNCIA!

Em Mt 13.24-30; 36-43  Jesus nos ensina e, sob a forma de parábola, apresenta-nos o caráter misto do reino e a separação final e absoluta do ser humano em dois grupos: homens e mulheres verdadeiramente filhos e filhas de Deus, e outros/as filhos/s do maligno. A mistura do mal com o bem é algo real e presente em todas as escalas sociais, nas diversas formas de governo, nas famílias e na igreja. O verdadeiro e o falso estão sempre juntos. O bem e o mal estão entrelaçados e são difíceis de separar. Os elementos criativos e destrutivos no coração dos homens estão de tal forma entrelaçados que a purificação não é tarefa fácil.
Na parábola há dois semeadores, duas espécies de sementes e duas colheitas: a do bem e a do mal.
O semeador e o campo: o semeador da boa semente é Cristo e o campo é o mundo, a igreja, inclusive. No cristianismo existem o joio e o trigo, todos dentro da verdadeira igreja. Os autênticos cristãos formam a boa semente, o trigo, mas na cristandade pode-se ver uma mistura de “filhos de Deus” com os “filhos do diabo”. O campo é a esfera da habitação humana, no mundo que Deus ama (Jo 3.16) e que o inimigo, aproveitando que muitos dormem, semeia o joio.
Dois semeadores: Jesus ensina que é Ele o semeador da boa semente, a que produz trigo. Como Criador, Ele fez o homem íntegro, à Sua imagem e semelhança, tendo plantado nele os santos princípios e as aspirações divina.
Mas há outro semeador no mundo, trata-se do “inimigo”, “o maligno”, “o diabo”. A palavra que Jesus usou para designar o inimigo foi diabolos, o caluniador, o mentiroso, aquele que é contra a verdade. A astúcia do inimigo é grande e por isso ele semeou o joio entre o trigo, enquanto os homens dormiam. Será se podemos simplesmente condená-los por estarem dormindo? Deveria ser noite, e homens cansam e precisam dormir para renovar suas forças e se prepararem para as tarefas do dia seguinte. Mas um planejamento pode ser possível e através de escala, uns poderiam estar dormindo e outros acordados vigiando o trigal. De qualquer forma é preciso identificar melhor a natureza covarde do diabo que escolhe a escuridão para as suas obras satânicas. Ele semeia secretamente, e os enganados amam as trevas porque suas obras são más.
Dois produtos: O Senhor semeia trigo em seu campo e o inimigo semeia jogo no meio do trigo. Os maus não são semeados entre os maus. O inimigo semeia o mau no meio do bom, e os dois juntos estão em todos os lugares.
Entendendo mais os produtos figurados da parábola:o joio e o trigo.
O JOIO: o joio é a erva daninha no trigo.
Uma planta é considerada erva daninha quando nasce espontaneamente em local e momento indesejado, podendo interferir negativamente na colheita. São características comuns às ervas daninhas: Competem com as plantas da lavoura por luz, água e nutrientes, reduzindo as safras e a qualidade;crescem rápido:usam muita água;têm excelente adaptação climática;podem servir como habitat para pragas e doenças, de onde atacam a lavoura;apresentam curto intervalo entre floração e germinação;apresentam alta longevidade;têm alta produção, de forma contínua.Atualmente, algumas ervas daninhas não são mais controladas por herbicidas antes eficazes, porquanto se tornaram resistentes. Tornaram-se verdadeiras e definitivas pragas.É isso que ocorre no reino vegetal.
E no reino dos homens, é diferente? Sabemos que não. Entre nós, sem um exame mais apurado não é possível distinguir o trigo do joio. Entre nós, o inimigo usa um método que se caracteriza por oposição pela imitação. Os maus são semeados entre os bons e a diferença entre eles nem sempre é visível.
Muitos que não são do Senhor assemelham-se aos que são: vão às igrejas, oram, lêem a Bíblia como os cristãos fazem, mas são, na verdade, joio, assim como ervas daninhas.
O TRIGO: “A boa semente”, “o trigo”, “os filhos do Reino” são termos equivalentes. O Senhor semeia, apenas, boas sementes, que geram vidas transformadas pela Palavra de Deus.
O propósito do Senhor é este: semear Seus filhos neste mundo de pecado e miséria para que produzam frutos para a glória eterna e gerem prazer por suas vidas transformadas. Ele semeou a cada um onde vive e trabalha. Espiritualmente, estávamos presos pelos vícios e pelo pecado e Cristo nos resgatou, pagando um alto preço. Nascidos do Seu Espírito, somos novas criaturas Nele e herdeiros da vida eterna. Por isso Jesus espera que frutifiquemos no lugar do campo desse mundo, onde Ele nos plantou.
Na essência da parábola do joio e do trigo, Jesus nos ensina que o Reino de Deus é destinado a crescer e abrir o seu caminho no coração de um mundo onde o mal não é somente muito vivo e ativo, mas continuará a ser até que esse mundo acabe.
Mas como o joio está presente, qualquer tentativa de erradicá-lo,  mostra-se delicada, uma vez que está crescido e enraizado, seguramente misturado  com o trigo, e, neste caso, o trigo seria arrancado. Por isso diz o Senhor aos ceifeiros, no tempo da colheita, “ ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado, e quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro”.
DUAS COLHEITAS: Na época de colheita será possível identificar o joio e o trigo. Então a ordem aos ceifeiros é uma só, mas se desdobra em duas formas de colheita:O joio deve ser colhido primeiro, atado em feixes para queimar.
Como o joio simboliza todas as almas perdidas, Jesus declara que todo o joio será lançado em fornalha ardente, e ali haverá choro e ranger de dentes (v.41 e 42).Mas a colheita do trigo será diferente, pois não haverá ali joio, e todos os que são como trigo, como justos resplandecerão como o sol, no Reino do Pai (v.43).
Atualmente, ainda nos dias de Graça, temos joio e trigo, mas o joio de hoje pode vir a ser o trigo de amanhã. O pecador mais corrupto e sem-vergonha de hoje pode se tornar no arrependido e envergonhado santo de amanhã. A parábola não exclui essa possibilidade até que “o fim dos tempos” tenha chegado.
Com Jesus aprendemos que pelo Seu poder, o inimigo pode ser derrotado, e seus escravos feitos filhos da Luz. Os filhos do diabo podem, ainda, tornarem-se filhos do Reino, e serem salvos do terrível Juízo Final. Falsos crentes no Senhor podem ser transformados em crentes genuínos e úteis.
 Enquanto a colheita não acontece, aprendamos a conviver em um mundo que é um grande campo. Nele o joio está no meio do trigo e importa fazer a diferença, transformando-nos e contribuindo para transformar o mundo, pelo aumento da quantidade de trigo, o que fará com que o joio seja sufocado pela inebriante luz que emana do Senhor e que resplandecerá como o sol em nós. Mas tomemos cuidado,pois se não formos vigilantes o inimigo pode plantar no campo de nosso coração, algum joio. E aí pode ser o início do fim!
Lembremo-nos: quanto mais o Senhor estiver nos campos de nosso coração, menos espaço terá nele o inimigo de nossas almas! (Mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 23/05/2010)

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